sábado, 27 de fevereiro de 2016

Resenha do Livro Revelação Frutosa por Dário Cotrim

A REVELAÇÃO FRUTOSA

Dário Teixeira Cotrim
Presidente do IHGMC

Descobrir Guido Viaro na Biblioteca Pública Municipal “Antônio Teixeira de Carvalho”, de Montes Claros, através do livro “A Revelação Frutosa”. É, sem sombra de dúvidas, um livro belíssimo. Tem composição gráfica impecável e conteúdo excelente, não obstante tratar-se de um romance de ficção. No princípio o autor narra em forma de autobiografia e, depois, passa a descrever um mundo tão comum para ele e, também, para as outras pessoas. É preciso reinventar situações do cotidiano como forma de imiscuir-se nela para dela tirar o melhor proveito de vida. O livro “A Revelação Frutosa” tem leitura fácil sem, contudo, cair na mesmice onda da literatura prolixa, sem norte determinado e sem porto seguro.

A escrita de Guido Viaro tem o estilo próprio do autor, isso é encontrado nas palavras que formam as sentenças, sempre carregado de simbolismo e metáforas. “O domingo escuro que engole o mundo”, por exemplo, representa - muito bem – a idéia que tem o autor das vicissitudes ali encontradas. Há uma passagem em que a flanela dos engraxates parece lustrar alguma recordação muito distante da realidade. Pois, é assim que Guido Viaro descreve seus personagens e os ambientes em que eles estão inseridos.

O livro não tem prefácio definido. Entretanto fez-se constar em uma das orelhas que “o nosso personagem – habitante desse mundo sem glamour – foi abandonado pelos pais quando criança por causa de um defeito de nascença. Coberto por pústulas da cabeça aos pés, foi rejeitado por todos. Vagou durante sua vida pelas cercanias de rodoviárias, adaptando-se às tonalidades cinzentas dos arredores. Conhecendo nada além da passagem, da espera, da azia e dos salgados vendidos em estufas de lanchonetes”. Essa situação é muito comum nos dias de hoje e, muitas vezes, passada despercebida pelos olhos dos promotores públicos do bem-estar das pessoas. O personagem de “A Revelação Frutosa” então desabafa: “o que mais me chateava não era quando diziam que não me queriam mais, o que achava insuportável era o começo do convívio, quando enxergava nos olhos de todos uma piedade misturada com a esperança de que tudo iria melhorar”. Ledo engano!

Nota-se que a escrita de Guido Viaro tem sentimento nas palavras e uma carga emocional muito além de nossa própria imaginação. O autor explora um tema que está no contexto social dos tempos modernos: a pobreza social. Por outro lado, ele entende que o ambiente da “rodoviária” guarda dentro de si uma pequena parcela de culpa sobre o destino dos injustiçados pela sorte. Portanto, “A Revelação Frutosa” é um livro que desperta no leitor uma oportunidade impar de participar efetivamente das atividades em favor dos mais necessitados. Um grito! Um clamor de justiça! Um desabafo! Tudo isso é encontrado com exaustão nas páginas deste livro monumental, elaborado, escrito e construído à maneira dos que sofrem os infortúnios de seus semelhantes.  

O escritor Guido Viaro é curitibano e tem vários livros publicados. Vejamos: “O Quarto do Universo”, “Glória”, “A Mulher que Cai”, “A Praça do Diabo Divino”, “Embaixo das Velhas Estrelas”, “No Zoológico de Berlim”, “Flores Coloridas” e “A Floresta Simbólica”. A Biblioteca Pública Municipal “Antônio Teixeira de Carvalho”, de Montes Claros, indica com grande satisfação a leitura desta pequena grande obra de Guido Viaro: “A Revelação Frutosa” aos nossos usuários. Boa leitura!



DÁRIO TEIXEIRA COTRIM
é ainda o Diretor da Biblioteca Pública de Montes Claros. Membro efetivo da Academia Montes-clarense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros

sábado, 27 de agosto de 2011

RESENHA - "A PRAÇA DO DIABO DIVINO" POR MARCOS MAHESH




“... homens estranhos devem ler livros estranhos.” … te confesso meu amigo, que este, A PRAÇA DO DIABO DIVINO, foi o livro mais estranho que já li em toda a minha vida... até agora.
Estranho, estarrecedor, diabolicamente divino por estar tão próximo ao humano em suas variadas formas de consciência que hora se expande e, por tantas vezes, se solidifica, mostrando que na verdade, “nada é tão verdade assim”. Fiquei pensando comigo a partir disto: “verdades”, são quaisquer coisas de que duvido. O ser narrador que personifica a consciência coletiva, que surge como aquele que narra o que observa de seu primeiro (ou seria segundo, pois que se confundem, amalgamam?) personagem, de início, tão estranho quanto este livro, tem sua existência confusa, mas é de suas confusões que tudo se elucida... ao menos, deixa claro, ou melhor, “nu”, toda nossa complexa simplicidade.

A meu ver, a questão cabal em seu livro, entre os personagens, entre o que narra e os que são narrados(pois logo se tornam muitos) é a busca, consciente ou não, de como se dão os encadeamentos que formam a vida. O ser narrador chama em suas próprias certezas meio que duvidosas de “embromadores” todos os coadjuvantes da história(não têm uma consciência direta disto) e ao estranho personagem, por assim dizer, principal, de “ o homem mais direto e honesto do planeta”, que dedicou praticamente toda sua vida a descoberta destes mecanismos que regem a mesma. 

Suas próprias dúvidas(do que narra) o leva as vezes a querer desistir e se rebelar contra sua missão existência de continuar acompanhando o homem que de início é narrado.
Desta parte em diante ele passa, realmente, a encarnar a mente coletiva, narrando(pois esse é seu ofício como sentido de existir) vários e variados personagens que vez ou outra surgem, desaparecem e ressurgem novamente no texto, ou melhor, na Praça. Confesso também que por vezes fiquei confuso quanto a continuidade da leitura... não entendia nada ou mesmo se havia algo a entender... frases soltas de um significado existencial surgiam(creio o estar imitando... Sahaja?!!), me fizeram continuar, mas não via mais no decorrer do texto aquele primeiro(segundo) ser, homem ou personagem que tanto me pasmou e, por sua louca tentativa de vislumbrar a vida como ela é, me fascinou. 

Leitura confusa, mas com sentido. A vida tem uma sequência lógica ou escorre a esmo? Isso é o que “todos” queremos saber, sabendo disso ou não.
A partir de suas observações narrações dos vários personagens que deixam o status de meros coadjuvantes, passando a ser atores principais da peça(Praça) da vida “o humanizam...”. Este ser não humano(literário?) que agora sente como todos e ainda assim, para continuar fiel ao seu sentido inicial de Ser, não quer(ou não pode?) se humanizar... como poderia?, sim, ele pode, mesmo sem querer. Estranho que, também, sem querer(perceber), pulei o capítulo quinze... fui logo ao dezesseis, e chegando “ao(s) dezessete(s)” já estava quase sem esperanças de achar a frase que me impactou(na contra capa) e fez-me pegar este livro da estante da Biblioteca Pública do Acre, aqui em Rio Branco, para ler... “O MAIS HONESTO dos homens...”, daí, estas mesmas “forças” que a tudo unem, movem, que são o motivo principal do livro, e que mesmo sem entendê-las dão significado a tudo, me fizeram perceber que este capítulo que havia pulado por algum motivo, nele foi que(me) achei... mesmo que por um instante, o INSATANTE e, daí pra frente, terminando-o e voltando ao dezessete(o plural também vale) foi que entendi melhor o motivo tão significativo de toda essa confusão.

Certeza, nenhuma!!!... mas nenhuma das certezas que tinha me fizeram estar tão certo como agora de que estes fios que tecem e regem a vida tem seus motivos e são os motivos de existir.
É instigante... nos move... que bela existência!






Marcos Mahesh
13/08/2011
Rio Branco -Acre








segunda-feira, 30 de maio de 2011

Livros para Bibliotecas

Também disponho-me a enviar gratuitamente para qualquer biblioteca que tiver interesse e ainda não possuir , uma cópia dos livros "Glória", A mulher que cai", "A praça do diabo divino", " Embaixo das velhas estrelas", "No zoológico de Berlim", "Flores coloridas", " A floresta simbólica" e "A revelação frutosa".